A Pesquisa

Quais os resultados obtidos?

Os participantes da pesquisa

Dos 383 farmacêuticos, 74,5% são do sexo feminino e 25,5% do masculino. A maioria deles, homens e mulheres, tem até 30 anos de idade (61,3%). São majoritariamente brancos (71,7%), sendo 20,4% pardos e aproximadamente 5% pretos, totalizando 25,2% aqueles considerados negros. Mais da metade dos farmacêuticos se declararam católicos. Aproximadamente 65% dos participantes estão formados há no máximo cinco anos; os que têm entre cinco e dez anos de formados representam aproximadamente 20,0%. Cerca de 80% dos informantes atuam como responsáveis técnicos (RT) no estabelecimento em que se encontravam no momento da pesquisa. Quanto à sua distribuição no país, a região sudeste do Brasil congrega 64,9% dos respondentes, dos Estados do Rio de Janeiro (30,3%) e de São Paulo (27,4%), seguida da região sul (16,4%). Os farmacêuticos residentes nas outras três regiões do país (norte, nordeste e centro-oeste) somam 18,7%.

Dentre os 20 balconistas entrevistados, 08 são do sexo feminino e 12 do sexo masculino. A faixa etária varia de 20 a 63 anos. As mulheres tinham em média 28 anos, enquanto os homens 39 anos. A escolaridade oscila entre o ensino médio e o superior incompleto. Os participantes trabalhavam em farmácias de três municípios adjacentes, Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo, em bairros com população de diferentes estratos socioeconômicos, em estabelecimentos comerciais distintos de 12 grandes redes de farmácias presentes na região. Os entrevistados se autodenominaram pardos (11), pretos (04), e brancos (03). Pertencem a religiões católica (07) e evangélica (07), em suas vertentes pentecostais e 06 declararam não frequentar religião alguma. Nenhuma das mulheres entrevistadas tem filhos. Elas são jovens, entre 20 e 33 anos, 04 delas solteiras e 04 casadas. Dos 12 homens, 08 são casados, entre estes somente um não tem filhos; 01 se declarou divorciado com filhos; e 01 solteiro e sem filhos. O tempo médio de trabalho no comércio farmacêutico é maior entre os homens (19 anos) do que entre as mulheres (04 anos).

Alguns resultados

A maioria dos farmacêuticos entrevistados (89,8%) respondeu que a pílula de emergência é um medicamento muito utilizado; 87,7% afirmaram que ele é um medicamento perigoso para a saúde da mulher, se utilizado de forma regular. A maioria (71,5%) não a considera abortiva. No entanto, 89,9% deles consideram que ela seja uma “bomba hormonal”, expressão do senso comum muito utilizada no Brasil.

Indagados sobre o perfil do consumidor que recorre à farmácia para comprar a pílula de emergência, surge um grupo de mulheres (72,9%), jovens (97,6%), com idades entre 16 e 30 anos, que utilizam o método de modo regular (65,6%), em menor escala em situações emergenciais (31,5%), e que não compram o medicamento de forma antecipada (9,6%) mas após a relação sexual desprotegida (90,4%).

A maioria dos entrevistados (78,1%) afirmaram que os consumidores apresentam dúvidas sobre o método e seu uso e que costumam ser procurados para tirar dúvidas a respeito. Também costumam oferecer informações aos consumidores, mesmo sem serem interpelados (61,6%), sentindo-se seguros para fazê-lo (73,4%). Eles consideram importante informar sobre a posologia do medicamento (66,3%) no momento de sua venda. Assim como os balconistas entrevistados, os farmacêuticos são contrários à venda OTC da pílula de emergência (72,4%).

Metade dos farmacêuticos (50,1%) respondeu ter ciência sobre a disponibilidade do método na rede básica de atenção à saúde. Porém, somam-se 49,9% os profissionais que afirmam que o contraceptivo não está disponível ou não souberam responder. Além do desconhecimento sobre a sua distribuição no SUS, quase metade (48,3%) revelou que o método não é um tema discutido na formação profissional.

Os resultados da pesquisa nos levaram a criar este site e o material educativo que ele contém para retorno aos profissionais das farmácias e drogarias. Acreditamos que o atendimento ao público consumidor deva ser ético, acolhedor e isento de juízos de valor independente do sexo, gênero, idade, raça, etnia do cliente e do medicamento ou produto solicitado.

Se você tem interesse em conhecer mais sobre os resultados da pesquisa, aguarde o lançamento do livro Contracepção de emergência no Brasil. Desafios e possibilidades para as políticas públicas de saúde. Em breve!



Última atualização em 04/04/2016
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